A relação entre mobilidade e o direito à cidade foi o tema da segunda oficina preparatória para a Conferência Livre de Mobilidade do Recife – COLMOBRE, realizada no INCITI / UPFE na noite de quarta-feira (06/07). O encontrou contou com três convidados para fomentar o debate: Leonardo Cisneiros, professor universitário e ativista do grupo Direitos Urbanos; Clarisse linke, mestre em políticas públicas e integrante do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP); e Sabrina Machry, arquiteta, urbanista e cicloativista, pesquisadora do Parque Capibaribe, integrante do INCITI/ UFPE, e da Ameciclo. A Colmob.re acontecerá nos dias 8 e 9 de julho, na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). A conferência é resultado de um movimento do Recife sem ligação com empresas, governos ou partidos políticos.
Leonardo Cisneiros iniciou o ciclo de exposições com ênfase na importância da participação no planejamento e desenvolvimento urbano. “O direito à cidade num critério básico é o direito a acessar a cidade, por exemplo, acessar a escola, o posto de saúde. A falta de acesso e de circular na cidade é desigual para as pessoas. Então, o direito a cidade tem que ser coletivo, difuso e democrático. O pleno direito à cidade é o direito de transformar às cidades”, defendeu Cisneiros.
O ativista citou o movimento Ocupe Estelita no combate ao consórcio Novo Recife como exemplo de reação a exacerbada verticalização e a construção de zonas de isolamento. “O Novo Recife segrega o espaço público assim como a lógica da ‘carrocracia’, que leva do shopping ao condomínio”, disse. Ao final, reforçou a necessidade de um desenvolvimento urbano que favoreça o encontro entre classes sociais distintas.
Clarisse Linke abordou o crescente espraiamento urbano e a relação com a diminuição da densidade e o aumento da emissão de gás carbônico. A mestre em políticas públicas apresentou os casos de Atlanta e Barcelona como exemplos opostos, a primeira cidade com um maior espraiamento e a segunda com maior adensamento. “No processo intenso de urbanização como o de Atlanta, o espaço triplica e o carro permite esse espraiamento, por isso o aumento da frota de veículos motorizados. No contexto nacional, citou Curitiba como a cidade com maior taxa de motorização.
Clarisse explicou que a mobilidade deve ser melhorada a partir das políticas de uso e ocupação do solo, evitando a gentrificação e favorecendo a mistura de usos e classes sociais, a diminuição da distância entre moradia e emprego, e com a expansão e qualificação de serviços de transporte, que devem priorizar o pedestre e o ciclista.
Sabrina Machry encerrou a programação da noite, com apresentação do projeto Parque Capibaribe, desenvolvido pelo INCITI / UFPE em convênio estabelecido com a Prefeitura do Recife, através da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade. A arquiteta detalhou alguns aspectos do projeto referente a mobilidade com a transformação do Recife numa cidade-parque com 71 km de ruas-parque com áreas verdes e passeios, 12 passarelas para travessia no Rio Capibaribe e 45km de ciclovias.
Acesse: http://www.colmob.re
